Bea_________________________

*Yellow Ledbetter
*rosa-raposa
*também atende por Bea Rodrigues
*20
*abril, seis.
*itália, frança, hungria, espanha.
*psicologia: quinto semestre, mackenzie.
*eddie vedder, melissa auf der maur, daniel johns, courtney love, dave grohl, john frusciante, andrew bird, gavin rossdale, regina spektor.
*chocólatra, sim. não tem a menor vontade de lutar contra isto
*ama caixinhas de música, o seu baixo, o cheiro de dama da noite, o sorriso do gato de alice e a lua quando forma este, folhas de outono, piano e músicas tristinhas
*textinhos pretensiosos
*garota desocupada
*fotógrafa de meia tigela
*desenhista medíocre, parada por tempo indeterminado
*fotos
*fotos melhores


Madeleine K_________________

Essa é a minha banda, na qual eu toco baixo e, por vezes, canto. Nela estão também:
Sidan
Deni
Renan
Nossos links, músicas, lixos e coisinhas:
fotolog
desamor ~ you tube
aquela ~ you tube
orkut

Links________________________

sucker love blue
fiction reprise
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freedom now
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dequejeito?
uma dama não comenta
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CINE PARADISO
sorocoisa
cuca fundida
músculo cerebral

Lay__________________________

Lay da Koia especialmente pra Bea =) . Nao Copie!

Thanks:
->Photoshop
->Bloco de notas
->Blogspot
->Haloscan

Friday, April 20, 2007

Glicerina

A janela estava escancarada e o vento fresco fazia desenhos na fumaça de seu cigarro enquanto observava a garota, ainda nua, dormir tranqüilamente. Ele já havia se trocado, devido a presença de novos moradores na casa ao lado, cujas janelas eram muito próximas daquela em que se encontravam.
Naquele dia, o sexo havia parecido muito bom a ele, talvez pela iminência de seus planos, talvez pelo resultado destes e, porque não?, por ambos. Olhou-a em seu sono novamente, e uma ponta de hesitação passou por sua mente. Pegou-a no colo delicadamente, de modo a não acordá-la com susto, e a colocou numa cadeira, na sala. Enquanto a garota ainda se situava do mundo a seu redor, pois demorava muito a efetivamente acordar, ele cuidadosamente amarrou seus pés e mãos a cadeira, e quando ela pareceu se dar conta do que estava acontecendo, ele tapou sua boca com uma fita.
Não esperava, no entanto, que ela não se opusesse ou que não fizesse nenhum movimento brusco sequer, tampouco qualquer tentativa de produção sonora. Pareceu mais preocupada com seu ritmo de respiração, pois estava muito acelerado. Aos poucos, inspirando e expirando lentamente, ela conseguiu voltar a respirar normalmente.
Os olhos dele realmente se preocuparam com aquele momento. Além de não estar em seus planos, ele sabia o quanto a sua falha respiratória a incomodava, deixando-a, quase sempre, aflita. Passado o susto, só sobrou um pouco a mais de espanto na aparente tranquilidade que passava pelos olhos dela.
Estes estavam observando cada movimento, gesto, olhar, objeto em que ele mexia. Ele definitivamente esperava choro, oposição e, quem sabe, uma cadeira por consertar. Nada disto estava acontecendo, e ele começou a cogitar a idéia de soltar sua boca. Se ela gritasse seria um problema, mas pelo menos ele perceberia algum afeto. Pois detestava qualquer tipo de indiferença para com sua própria pessoa. A idéia de ter sua total atenção, ao menos, parecia reconfortante.
Depois de um tempo gasto na cozinha, começou a se incomodar com os olhos castanhos e inquisitórios da garota. Decidiu tirar a fita adesiva que cobria sua boca.
- obrigada - foi o que disse, em tom baixo, num quase sussurro.
- porque você não está gritando, falando alto, brigando comigo ou tentando se soltar? - perguntou ele, ainda sem compreender.
- isso te faria mudar de idéia? Você por acaso se compadece com cenas de choro, de dor ou de angústia? E se isso acontece, será que seria suficiente? - nessa hora, sua voz falhou. Ele pôde perceber, ali, um vacilo, uma nesga de tristeza - Eu já sei a resposta de todas essas perguntas, e é ‘não’.
Ele sabia que ela ia continuar a falar, mas interrompeu com um beijo. E se demorou nele, porque ela não se opôs. Ela estava certa, ele já havia decidido e não pretendia mudar de idéia. O beijo foi interrompido por um barulho estranho na cozinha.
- então, - disse ela, atraindo a atenção dele novamente para ela – o que você tem para mim? Que seja algo divertido, ao menos.
Ele nunca ia compreender o fascínio que ela tinha por tortura. Ele sabia que tinha algo a ver com controle, mas não entendia como ela se divertiria sendo torturada, e além disso, esta nem era a idéia. Achava isso muito bom, mas para pessoas que não conhecia. Para ela, queria algo dramático, algo digno.
- está com sede? - perguntou ele. Ela sempre tinha sede quando acordava. Ademais, era um pretexto para ver o que havia causado o barulho na cozinha.
- estou.
Passados alguns minutos, ele voltou.
- não achei o que fez o barulho - disse isto enquanto virava o copo para ela beber.
- está ventando, - disse ela - provavelmente foi só uma janela batendo.
- talvez. - considerou - vou pegar algo para mim, já volto.
Ela o ouviu enxer um copo, e logo em seguida depositá-lo com um estalo na pia. Pensou que pudesse estar nervoso e que havia bebido muito rápido, mas foi quando um vulto pequeno, quadrúpede e vermelho adentrou a sala correndo e se escondeu sob sua cadeira que ela compreendeu: foi um susto.
- você quebrou o copo?
- não, mas a bebida não desceu muito bem. Só quero ver como vou tirar esse bicho daqui.
Ela inclinou a cabeça para trás e viu o rabo felpudo e vermelho, de ponta branca, e riu.
- pare de rir, é um bicho arisco e eu não estou afim de ficar com os braços arranhados. -reclamou.
- bem, eu a tiraria daqui para você, mas como você pode ver, estou meio ocupada. - e continuou a rir.
Foi quando ele começou a tossir. E ficar pálido. E cair no chão, sentado, deslisando pela parede. Foi quando ele viu a expressão dela mudar. E tentar se soltar. E os olhos enxerem d’água.
- isso é sacanagem! - disse ela, levantando a voz. - como você espera que isso seja divertido?
- não é pra ser - disse ele com paciência - é para ser triste. É para ser triste e bonito, porque você vê, só assim as pessoas vão falar da gente. Alguns morrem pra viver.
- não jogue as minhas músicas contra mim! - gritou ela. - faz o favor de me soltar, agora!
Mas o grito foi seguido de tosse. E palidez. E seus músculos afrouxaram. O animal rosnou para ele quando pôs-se a soltá-la, não sem um certo esforço, e levá-la de volta para a cama. Naquela altura, ela já estava chorando.
- não é pra você chorar. Está lá, na sua música, no livro que você gosta tanto. É só assim que não vamos sofrer, entende?
- não, não entendo. - mas sua voz já estava bastante fraca, e a dele também. - o que você pôs na água? O que você tomou?
- na sua água, nada. E o que eu tomei agora não faz diferença. Eu só queria ver até onde você iria, entende? Eu só queria saber o quão sincero é tudo isso.
- você estava me testando? Me testando com isso? Por que você sempre tem que testar tudo, todos e, principalmente, a mim?
- porque eu sou assim. E você me ama, mesmo com esse jeito. Era só disso que eu precisava saber. Você vai sair daqui quando sua dor passar e vai tratar de ser feliz, porque você jamais poderia sê-lo comigo. E agora, eu posso ir embora feliz, porque eu soube que eu realmente fui amado, entende? Eu posso ir embora. - e fechou os olhos, e apertou a garota para junto de si, na cama.
O abraço durou para sempre, porque ela nunca levantou. Ele não contava com o fato de que a dor dela não iria passar. A raposa observou a cena por alguns instantes, e num movimento rápido, correu para fora da casa.

[*the vixen 1:31 AM]